Caminhando à noite

dogAcabei de levar o Ringo pra dar uma volta. Ele ainda não tinha passeado à noite. Nem eu. Curti. A brisa fria de 16 graus é reconfortante, por mais paradoxal que isso possa parecer.

No caminho, perto do bosque, esbarrei com mais duas pessoas que estavam andando com seus cachorros. Um deles era branco. Parecia um fantasma na escuridão.

Mas o meu mete mais medo. Seus olhos amarelos brilham no escuro como olhos de gato. E o fato dele ser escuro, dificultando definir seu tamanho, assusta mais ainda. Parece o cão do capeta. Rs

O horror, o horror!

lingua- Olha! Um pitbull marron!

Foi assim que uma garota definiu meu cachorro, ao vê-lo na ciclovia, hoje à tarde.  Talvez ela tenha achado alguma semelhança por causa do formato dos olhos do Ringo e porque suas orelhas estavam pra trás.

- Ah, ele é bobão – continuou ela, ao notar a expressão de tranquilidade momentanea dele. Ela disse isso porque não o viu depois, tocando o terror nos outros donos de cães.

Ringo ainda não acostumou-se totalmente a andar sem puxar a guia nem aos outros cachorros que passeiam na avenida. Ele fica louco ao ver outro cachorro e avança latindo, para brincar. Aí, nem o enforcador segura direito.

E a cor, o tamanho e o enforcador prateado ajudam a meter mais medo ainda. Um rapaz, ao ver o Ringo, pegou seu cachorrinho no colo ao passar pela gente, temendo uma desgraça. Mal sabe ele que Ringo é um bobão, como disse a moça.

Meu pitbull-labrador precisa de mais convívio, acho. Os adestradores estão trabalhando em acalmá-lo na parte do passeio. Bom para os meus dedos cheios de bolhas.

Publicado em:  on 02/08/2009 at 19:43 Comentários (3)
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A verdade

Os adestradores tinha sugerido não soltar o Ringo no bosque por enquanto, até ele ficar menos arredio e aprender a andar na guia direitinho.

Ignorei a recomendação e agora tô pagando o preço.

Publicado em:  on at 18:50 Deixe um comentário

Ele cresceu

janelaDesisti de transformar este blog num slowblog.

Há uma série de coisas que preciso registrar. Foram três meses de comportamento relapso. Não da parte do meu cachorro (embora ele tenha sido relapso nesse meio de tempo), mas da minha parte. Neste período de ausência, poderia ter registrado bastante coisa, mas o não fiz. Por preguiça e por causa de outras tarefas que furtaram meu tempo. Bom, algumas dessas tarefas me assaltaram a mão armada, mas passou.

O Ringo tá com nove meses. Quase dez. E se tornou um monstro, embora eu sempre ache que ele ainda vai crescer mais um pouco.

Vou fazer um pequeno resumo do que aconteceu com ele (e por causa dele) de abril pra cá: ele ainda destrói coisas (lençóis, as quinas da casinha de plástico indestrutível, a hera da parede, a parede), late pros outros (mas depois pula pra brincar), teve alergia de novo, teve otite, parece um cavalo quando corre no bosque, late quando tocam o interfone (bom garoto), continua virgem, gosta de B-52’s, está se familirizando com o interior da casa (sem destrui-la), anda empurrando a casinha quando se espreguiça, assustou um vovô e seu netinho no bosque.

E também está sendo adestrado (!!!). Relutei muito em deixar o Ringo ser adestrado. Queria preservar um certo comportamento rebelde no cachorro. Sempre achei que esse lance de dar a patinha, fingir de morto e outras baboseiras fosse coisa daqueles temíveis poodles. E ainda acho.

O problema é que Ringo precisava ser contido nalgumas de suas estripulias. O cahorro não para de pular um segundo e puxa demais a guia. Por mais tolerante e desencanado que eu seja, chega uma hora que não dá. Ele corria o risco de derrubar minha mãe. Se isso acontecesse, não sei o que aconteceria.

Bom, ele tá sendo adestrado por um casal muito gente boa. Tá apredendo a pular menos e a andar do lado. Em algumas semanas, vou correr com ele. Que maturidade canina!

Agora, os petiscos (salsicha) que dão a ele na fase inicial de treinamento fizeram-no odiar a ração. É como oferecer bife à parmegiana a quem sempre comeu cookies diet. Por conta disso, tenho que incentivá-lo a comer a ração, “temperando-a” com leite ou misturando qualquer outra coisa, como pedaços de banana. OK, não é tão ruim assim. Mas tem dias que o cachorro mal olha pro pote de ração.

Voltando ao adestramento, é foda ver Ringo obedecendo mais os adestradores do que a mim. Mas isso é temporário. Sem falar que eles trapaceiam dando salsicha a ele. E eles não passeiam no bosque com o cachorro, como eu faço.

Publicado em:  on 27/07/2009 at 22:33 Deixe um comentário
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Alergia a pulgas

15012009Foi o que o veterinário disse. Resultado: uma pelada feia acima do rabo com uma pequena área vermelha, coitado, quase uma ferida. Cachorro alérgico a pulgas é como jornalista alérgico a tinta de jornal (meu caso).

Dizem que cachorro é igual ao dono. Ringo tem alergia. Eu também. Ringo é desconfiado, inquieto e tem olhar melancólico . Eu também.

As pulgas são o preço pelos passeios no bosque. Esse negócio de tudo ter preço é um saco. Parece filosofia capitalista ou então aquele papo sobre manter o equilíbrio cósmico universal. Fazer o quê…

Ouvi dizer que tem um remédio homeopático antipulgas.Tô pesquisando no google, mas não achei ainda. Tomara que exista mesmo. Bem melhor do que gastar R$ 150 com produtos para afugentar as malditas.

Dias de chuva

Meu cachorro começou a perceber que os dias chuvosos são inúteis. Não dá pra brincar nem passear no bosque.

Quando chove forte ele fica estocado no fundo da casinha, fustigado pelas gotas de chuva, até que dorme, esquecendo o temporal, o frio e as coisas que deixou de fazer.

Já eu, fico preso em casa, encanado com as coisas que deixei de fazer.

A verdade

O tal quati que eu dei pro Ringo destroçar não é quati coisa nenhuma. É um guaxinim. A garota do petshop me disse que era um quati. Na hora, acreditei.

Nem deve existir quati de pelúcia. Esse bichos são, na maioria, importados. Duvido que haja uma fábrica de brinquedos pra animais de estimação que produzam bichos do país.

Ou seja, você não vai  achar tamanduás, micos-leões ou onças. Você não vai berrar com orgulho “mata a onça!” pro seu cachorro, fingindo que ele caçou um animal selvagem da fauna brasileira, entre outras brincadeiras bobas.

Mata o quati! Mata!

1002200900Ir a petshops tornou-se um vício pra mim. Quando se tem um cachorrinho novinho em folha, depois de um hiato de seis anos, você quer agradá-lo com todo o tipo de besteiras de petshops.

Pensando também na sobrevivência das plantas do quintal, resolvi ocupar Ringo com um bicho de pelúcia (ossos e bolinhas não são suficientes). Fui ao petshop com a imagem de um lagarto na cabeça. Achei coisa melhor: um quati! Odeio quatis. Nem sempre foi assim. Tudo bem que nunca achei os bichos adoráveis, mas passei a odiá-los durante uma trilha na mata.

Era o retardatário do grupo. Ainda no pé da serra, deparei com um bando de quatis. Uns oito, talvez. Ariscos, eles ergueram os rabos e rosnaram (não sei se quati rosna, mas você me entendeu) pra mim. Fiquei parado alguns instantes, sem saber se esperava-os passar ou se prosseguia. Mais quatis apareceram. Fiquei apavorado e subi correndo, desviando de alguns, sem olhar pra trás. Após esse episódio comum da natureza, porém grotesco pra um urbanóide como eu, passei a detestar quatis.

Em casa, atiço Ringo pra cima do bicho de pelúcia gritando: “mata o quati! mata!”. É minha “vingança” contra a espécie que quase me atacou na mata.

A verdade

Não adquiri paciência no trânsito por ter evoluído ou coisa assim. Sou paciente no tráfego porque isso me faz sentir superior. Rs.

Rolê

15012009020Não via a hora do Ringo completar três meses e finalizar o ciclo de vacinas pra poder sair por aí.

O primeiro passeio não foi muito fácil. Nem o segundo. Nem o terceiro. Ele ainda não se acostumou com a coleira. Mas está progredindo, acho.

Tem um bosque perto de casa que virou seu parque de diversões. Solto ele ali e pronto. Assusta alguns frequentadores que não sabem que ele tem mais medo dele do que ele deles, imerge no gramado, cheira bueiros, corre desesperado e se choca entre minhas pernas quando me distancio dele.

Temos feito esse passeio umas quatro vezes por semana pelo menos.

Ringo ainda não sabe andar solto na rua. Esses dias, caminhei com ele livre fora do bosque e quase foi atropelado. Inocente, parou na frente de um carro. A sorte é que o veículo trafegava devagar e parou antes que o pior pudesse acontecer, enquanto eu, nervoso, xingava o cachorro de burro.

Ainda bem que o motorista teve paciência. Gente paciente no trânsito é coisa rara. Enquanto não aprendo a meditar, tento colocar em prática um exercício de paciência no trânsito.

É íncrível como as pessoas, pedestres ou motoristas, ficam contentes ou se surpreendem quando você é gentil no trafégo. Pedestres, especialmente, sentem-se profudamente respeitados quando você para e os deixa passar.